Após anos de repressão à Igreja, Daniel Ortega declara fim das eleições na Nicarágua

  • 21/07/2026
Após anos de repressão à Igreja, Daniel Ortega declara fim das eleições na Nicarágua
Após anos de repressão à Igreja, Daniel Ortega declara fim das eleições na Nicarágua (Foto: Reprodução)

O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou que o país deixará de realizar eleições, consolidando o regime autoritário que, nos últimos anos, também se tornou conhecido pela intensa perseguição a igrejas e líderes cristãos.

A declaração foi feita durante as comemorações dos 47 anos da Revolução Sandinista, quando afirmou que a oposição não voltará mais ao poder por meio do voto.

“Não haverá mais eleições”, disse Ortega em um discurso sobre seu adversário de longa data, os EUA.

“Partidos colocados em prática pelos ianques, colocados em prática pelo regime de Somoza, voltando ao poder – essa história acabou”, declarou Ortega diante de apoiadores em Manágua.

“Nunca, nunca, nunca”, disse sobre nenhuma eleição futura.

A fala representa mais um passo na concentração de poder do governo Ortega-Murillo.

Desde que retornou à Presidência, em 2007, Ortega promoveu mudanças constitucionais que ampliaram seus poderes e fortaleceram a participação de sua esposa, Rosario Murillo, hoje copresidente da Nicarágua.

As reformas também estenderam o mandato presidencial e reduziram ainda mais os mecanismos de fiscalização democrática.

Repressão atingiu igrejas

O endurecimento político ocorreu paralelamente ao aumento da repressão contra comunidades religiosas, especialmente igrejas cristãs que passaram a denunciar abusos do regime ou oferecer apoio às vítimas da perseguição política.

Em 2025, a repressão contra cristãos na Nicarágua se intensificou. Segundo um relatório da Christian Solidarity Worldwide (CSW), organização que atua na defesa da liberdade religiosa, 55 líderes cristãos foram presos ao longo do ano.

O documento também registrou 309 violações à liberdade de religião ou crença, incluindo ameaças, vigilância constante por parte das autoridades e proibição de cultos e outras reuniões religiosas.

Nos últimos anos, a Nicarágua fechou centenas de organizações religiosas e ministérios cristãos, confiscou propriedades de igrejas, proibiu procissões e manifestações públicas de fé, além de expulsar sacerdotes, freiras e missionários estrangeiros.

Pastores evangélicos também foram presos, interrogados ou impedidos de exercer livremente suas atividades ministeriais.

Diversas congregações religiosas tiveram sua personalidade jurídica cancelada, enquanto universidades cristãs e organizações beneficentes ligadas à Igreja também foram fechadas pelo governo.

A perseguição atingiu tanto a Igreja Católica quanto igrejas evangélicas, que passaram a enfrentar vigilância, cancelamento de eventos, restrições administrativas e detenções de líderes religiosos.

Organizações internacionais de direitos humanos e entidades de liberdade religiosa denunciam que o governo utiliza o aparato estatal para silenciar qualquer instituição considerada crítica ao regime.

Ditadura consolidada

Analistas avaliam que o anúncio do fim das eleições apenas oficializa um processo iniciado há anos.

“Ortega e Murillo estão evidentemente com medo da ideia de que a menor abertura política possa criar as condições para que a dissidência se manifeste e ameace seu controle sobre o poder”, disse Tiziano Breda, analista sênior da América Latina do monitor independente de conflitos ACLED.

“Em vez de realizar uma eleição fraudulenta, eles optaram por eliminar completamente a competição eleitoral”, acrescentou.

Nas eleições de 2021, praticamente todos os principais candidatos da oposição foram presos, impedidos de disputar o pleito ou obrigados ao exílio, enquanto partidos políticos e veículos de comunicação independentes foram fechados.

Repressão e violência

Desde os protestos de 2018, reprimidos com violência, organismos internacionais acusam o governo nicaraguense de promover graves violações de direitos humanos, incluindo prisões arbitrárias, retirada de cidadania de opositores, censura e perseguição sistemática à sociedade civil.

Segundo o Mecanismo de Reconhecimento de Presos Políticos, organização que monitora casos de perseguição política no país, ao menos 46 pessoas permanecem presas por motivos políticos na Nicarágua.

O regime de Ortega, por sua vez, nega a existência de presos políticos e afirma que os detidos responderam por crimes comuns ou contra a segurança do Estado.

Para observadores internacionais, a declaração de Ortega confirma a consolidação de uma ditadura sem perspectiva de alternância de poder, ao mesmo tempo em que aumenta a preocupação quanto ao futuro da liberdade religiosa no país.

Ao extinguir as eleições e manter a pressão sobre igrejas e líderes cristãos, o regime amplia o cenário de restrições às liberdades civis e de culto que já vinha sendo denunciado por organizações internacionais.

FONTE: http://guiame.com.br/gospel/noticias/apos-anos-de-repressao-igreja-daniel-ortega-declara-fim-das-eleicoes-na-nicaragua.html


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